domingo, 4 de novembro de 2018

O PROFESSOR AINDA DEVE PROFESSAR?




O PROFESSOR AINDA DEVE PROFESSAR?

Por Marli Dias Ribeiro



         No século passado o papel do professor estava vinculado a repassar  informação e, talvez, o conhecimento. Professar uma coleção de enredos, livros, fórmulas, informações acumuladas pelas gerações passadas aos estudantes. Hoje, com o advento das novas tecnologias da informação e do conhecimento, o papel do professor precisou ser reinventado, até chegaram a arriscar sobre o  desaparecimento da profissão. Nessa conjuntura desafiadora,  a mediação aparece com força, e professar uma verdade absoluta , não faz parte da nova postura do educador. Temos ainda conteúdos a ministrar, é fato, porém, a significação de nossa prática pedagógica e de como levar isso para os jovens nas escolas nunca foi  uma tarefa tão complexa e desafiadora como agora numa sociedade de infinitas informações.
         Na Sociedade do Conhecimento educandos e educadores tem acesso a uma inimaginável gama de informações ao toque de uma tecla, e nosso grande desafio é mediar como essa informação será interpretada, avaliada, lida de forma crítica e contextualizada. Torna-se evidente que somos desafiados a desenvolver competências profissionais que passam necessariamente pela ampliação do universo de conhecimentos e pela reflexão sobre nossas práticas, nossas posturas e de nossa atitude ética. Agora, mais que nunca, somos aprendizes.
         Se nossos prédios escolares, nossos livros didáticos, nossa organização pedagógica, nossa graduação, ainda não mudou, os desafios da pós-modernidade constroem um caminho que não tem volta, a mudança no mundo está posta, e somos parte da sociedade, teremos que despertar, nos conectar.  Possivelmente, nossas   atitudes de leitura de mundo passa pela mediação da aprendizagem, pela aula significativa, pelas novas formas de ler e ver a informação. Penso não existir outra forma de aprender que não seja o estudo, a formação, reflexão crítica e ativa de nossa prática.
         Imagino e  vejo algumas  escolas que ainda não acordaram, etão paralisadas com os novos desafios. Nos resta reagir, agir, sobreviver, arregaçar as mangas e assumir nossa postura de professores. Estudar é preciso, professar não, precisamos ir além! Formação é sobrevivência.
         E mesmo em tempos de incertezas e dúvidas, o fundamental em nossa ação educativa, será seguir transformando por meio de  nosso trabalho. Um trabalho que pode ser esperança para os estudantes. Por eles é que existimos enquanto professores, educadores, mediadores. Vamos errar?  Podemos errar, mas continuaremos tentando. Como Clarice Lispector nos ensina, sempre ao começar cada trabalho, devemos nos preparar para errar, faz parte da caminhada de todo aprendiz. No erro podem existir possibilidades.
          Assim, sigamos nos aprimorando como gente, como profissional, como eternos estudantes pois, enquanto existirem dúvidas,  continuaremos nos movendo por respostas e não professando meias verdades ou ilusões de verdades absolutas. E lembrando a grande Clarice...

         E não me esquecer, ao começar o trabalho, de me preparar para errar. De que todas as vezes em que não dava certo o que eu pensava ou sentia é que se fazia enfim uma brecha, e, se antes eu tivesse tido coragem, já teria entrado por ela.
         Meu erro, no entanto, devia ser o caminho de uma verdade, pois quando erro,  é que saio do que entendo.

        
Clarice Lispector


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