segunda-feira, 23 de abril de 2018

DEMOCRATIZAR É INCLUIR O OUTRO

DEMOCRATIZAR  ...


Sobre a Inclusão Educacional e a Democracia

Viver democracia é saber-se diferente e único. Respeitar passa por incluir.



Por Marli Dias Ribeiro


            Parece óbvio, mas cabe destacar, a inclusão emerge da DEMOCRACIA e com ela os Direitos Humanos. Democratizar é incluir. Pensar na diferença, na igualdade, na inclusão, e na exclusão constitui-se um processo de democratização e de humanização que busca compreender, e sobretudo aplicar, conceitos como equidade e alteridade. Viver democracia é saber-se diferente e único. Respeitar passa por incluir o outro.

Se por um lado, as normais legais dão um suporte jurídico a essa questão, a grande contradição são as garantias desses direitos a um conjunto cada vez mais amplo de sujeitos invisíveis. E são muitos os invisíveis.... Quando iremos incluir e garantir direitos para democratizar?

            O mundo sempre foi marcado pela exclusão, pela eliminação dos diferentes, dos pobres, deficientes, dos gênios, dos ditos anormais. Foram séculos sem possibilidades de fala, de lugar, numa quase invisibilidade. As políticas de inclusão parecem dar impulso nos últimos anos as reivindicações que procuram anunciar a voz das minorias, entretanto o caminho ainda é árduo. Apesar de existirem aparatos legais para a inclusão, dentre os quais, a Declaração dos Direitos Humanos (1948), a Declaração de Salamanca (1994) e a Constituição de 1998, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) , o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Plano Nacional de Educação ( PNE), e o mais atual Estatuto da Pessoa com Deficiência de 2015, lembramos Anísio Teixeira “ Os valores proclamados são diferentes dos praticados”.

Como levar esses conceitos e normas legais ao cotidiano da escola e da vida? Pergunta de dimensão complexa. A proposta é um grande desafio e passa por compreender a pedagogia dos últimos tempos e aliar o processo de democratização quantitativa ao processo de qualidade. Nossas escolhas em inserir a questão da inclusão e exclusão, que é uma questão de muitas áreas, é uma escolha política, ideológica, econômica e pedagógica. Não existe exclusividade nessa pauta.

Desta forma, nossa tarefa educadora talvez seja conhecer, refletir, e fazer a transformação no lugar que pisamos, lutar e exigir do ESTADO que   oferte  uma rede de apoio à escola, trabalhos de orientação, assessoria e acompanhamento do processo de inclusão, formação, capacitação dos sujeitos, ampliação e aplicação das leis. Possivelmente essa conscientização possa buscar na intencionalidade do ato educativo, uma educação comum e especial, com condições favoráveis para o desenvolvimento de todos os alunos. Dos alunos vistos, e dos não-vistos, dos de perto, dos de longe, de todos os alunos.

A percepção sobre o tema, passa por entender que a mudança conceitual deve ocorrer, que é urgente rompermos com   alguns marcos definidores da educação especial, desconstruir o modelo estritamente médico-biológico, psicológico, econômico e legal para assumir uma dimensão fortemente político-pedagógica e prática. Foco na ação. Pequenas ações, grandes ações, a minha ação a sua ação, a nossa ação. Trabalho de construtor, peça a peça.

Os desafios e paradoxos estão postos, precisamos caminhar, construir, democratizar para incluir. Temos uma estrada longa, que será percorrida passo a passo, num projeto progressivo, gradativo de tempo longo, mas de sonhos concretos.

De sonhos coletivos, participativo, que avistam um futuro de uma escola DEMOCRÁTICA,  plural, inclusiva e de qualidade, para o igual e para o diferente. 


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