segunda-feira, 26 de março de 2018

SALA DE AULA INVERTIDA, METODOLOGIAS ATIVAS, O QUE É ISSO?



A tão badalada metodologia ativa, do ensino em ação, não é tema tão novo assim.


Por Marli Dias Ribeiro


O movimento de mudanças sociais, a chamada sociedade do conhecimento que vivemos nos dias atuais, trazem aos educadores a necessidade em compreender as exigências que se impõem ás novas realidades do mundo. As tendências pedagógicas que influenciaram grande parte dos professores foram apoiadas em muitos casos, e ainda, o são, pela conhecida Pedagogia Tradicional. Sobre a tendência tradicional podemos resgatar do filósofo alemão Johann Friedrich Herbart (1776-1841),  as Escolas dos Frades jesuítas, a repetição oral, a aula expositiva, o currículo rígido, o aluno é passivo, o professor autoritário, listas gigantes de conteúdo, aulas sem contextualização, memorização e outros. Muitos de nós somos resultado desse ensino que ainda hoje tem espaço nas escolas.

Entretanto, a tão badalada metodologia ativa, do ensino em ação, não é tema tão novo assim. Segundo Abreu (2009), os primeiros conceitos desse método aparecem na obra Emílio, de Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Isso mesmo, em 1700! Nessa filosofia educativa as experiências de ação do aluno são parte central do ensino. Outro autor que inspirou essa tendência pedagógica ativa foi John Dewey (1859-1952), idealizador da Escola Nova. Ele defendeu que a aprendizagem ocorre pela ação, colocando o estudante no centro dos processos de ensino e de aprendizagem. Parece ainda distante de você? Em nosso país a conhecida Escola Nova da década de 30 está associada aos pioneiros da Educação no Famoso Manifesto da Escola Nova onde Anísio Teixeira foi um dos protagonistas.  

Mesmo não sendo uma novidade, seu uso vem ganhando força em muitas escolas internacionais e nacionais. Na Finlândia, um dos melhores ensinos do mundo, segundo dados do PISA, o aluno aprende a gerir planos, projetos, e lidar com erros. As avaliações são realizadas ao longo do processo e o desempenho do estudante acompanhado durante as aulas. No Brasil as grandes redes de escolas particulares estão apostando na onda ativa. Essas escolas apoiam-se em conceitos assentados na Biologia e na Psicologia para explicarem seu uso.

            Esses conceitos da biologia e psicologia defendem o ensino ativo. Baseados em  dados do  National Training Laboratories, os adeptos explicam que nas aulas expositivas  o jovem absorva apenas 5% do que é apresentado, na leitura a  retenção pode chegar a  10% do assunto, porém nas atividades ativas a apreensão chega a mais de 50% de aproveitamento. Quando a escola organiza suas ações com orientação do professor com a metodologia ativa, os resultados chegam a 75% de retenção. 
         Nesse tipo de metodologia os alunos são inseridos em   debates, pesquisas e execução de atividades diferenciadas, leitura prévia de conteúdos para favorecer a interação; uso de tecnologia para potencializar o aprendizado; competições ou desafios para instigar o pensamento, ocorre o trabalho em equipe e a liderança; empreendedorismo, etc.

            Nesse contexto, a sala de aula invertida, tem como conceito um espaço   onde o protagonismo é do aluno, o aluno é agente do saber, o professor acompanha, orienta e estimula. O estímulo é direcionado á resolução de problemas. Em alguns casos o aluno é dito auto aprendiz. O aluno é autônomo. A inversão são nos papeis propostos aos professores que passam  a ser os motivadores, incentivadores.

            As críticas a essa abordagem giram em torno de sua preparação do estudante ao mundo tecnológico sem uma abordagem crítica. Será?  Os argumentos falam de uma metodologia ativa  com tendências que não sejam vinculadas ao ensino tradicional e ainda carece de aprofundamento teórico. Estamos preparados? Essa é a função social da escola de hoje? As aulas proposta em nossas escolas são mesmo tradicionais? Os alunos, a comunidade conhecem e  foram ouvidos sobre essa tendência? 

            Por fim, o processo de ensinar e aprender compõe-se de inúmeros e complexos processos internos, que são individuais. Cada sujeito internaliza e aprende em seu tempo, espaço e forma diferente. Será que temos condições de apontar a melhor metodologia? Convido você a refletir...
            Creio que  precisamos mesmo inverter muitas situações na escola e possivelmente não seja somente a sala de aula, mas nossa ação, formação, criação, participação...

Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.

Ensinar exige compreender que a educação é uma
forma de intervenção no mundo.
Ensinar não é transferir conhecimento.
Paulo Freire


Imagem: Internet
Saiba mais : MELO, B. C.; SANT’ANA, G. A prática da Metodologia Ativa. Com. Ciências Saúde, v. 23, n. 4, p. 327-339, 2012.


segunda-feira, 19 de março de 2018

EM TEMPOS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES : NÃO VOU MAIS LAVAR OS PRATOS, DE CRISTIANE SOBRAL


SOBRE O LIVRO:  NÃO VOU MAIS LAVAR OS PRATOS, DE CRISTIANE SOBRAL

Por Marli Dias Ribeiro




A literatura abre possibilidades, e nesse livro, pude refletir muitos fatos vividos e vistos no cotidiano feminino. Pelo livro, parece ser possível tratar um tema polêmico, complexo e com números alarmantes como o caso da violência contra mulheres. Pelo livro parece ser possível ir além de informações prontas ou análises frias de dados. A vida torna-se impregnada nos versos. 
No verso da minha vida, da sua vida, e da vida de Cristiane Sobral, todas nós mulheres, educadoras, escritoras, gente, somos representadas. Esse livro que indico e aponto, arte e luta em forma de letras.

E os dados.... Vamos aos dados:  em 2013, 13 mulheres morreram todas vítimas de feminicídio, pelos dados de 2015 o assassinato de mulheres negras aumentou (54%) e o de brancas diminuiu (9,8%), no estado do Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos, a violência parece não cessar apesar da Lei Maria da Penha. 
 Nessa lógica, a literatura que perpassa tempos, espaços e contextos nos permite   uma releitura da realidade, da pessoa. Uma identificação que pode ser alcançada quando entre as linhas de um texto revelam-se o íntimo, o oculto, a representação imaginária de uma vontade velada pela voz, mas descrita, escrita em livros e em vidas. Foi esse sentimento que se apoderou de mim.

Não vou mais lavar os pratos! Sonoro grito de liberdade. Essa metáfora forte e viva me inspira. Me lembra que hoje, aprendi a ler, comecei a ler, e não lavo mais as roupas, os sapatos, os pés do senhor, da senhora.! Será que decretei minha Lei Áurea? Confesso que tenho pensado, ainda tenho interrogações quando observo minha rotina e a rotina de muitas mulheres. 
Somos muitas e  subjugas, discriminadas, violentadas. Cristiane Sobral, diz em sua poesia: Agora que comecei a ler entendi (Cristine Sobral). Pura verdade, o mundo se abre e se abriu, quero entender, rever, criticar e lutar. Ainda tentam calar a nossa fala, a nossa escrita, nossas vidas. Vamos ler, alfabetizar-se, nos alfabetizar. Vamos juntas.

Mas, sim, lavei roupas, pratos, ao lado de minha mãe. As mulheres que conhecei foram e são guerreiras ( grifo meu), firmes diante das chibatas da realidade. (Cristine Sobral).  Por isso, em longos anos lavei as roupas, com esse grito preso pela rotina intensa de um trabalho suado, executado para manter a família. 
Consegui dizer, apenas falei, não gritei. Foram tempos de violência, uma violência ainda presente, ela ainda resiste. E depois de alguns anos, as letras me ensinaram a ver outros rumos, outros mundos. As letras ensinam, foi no livro que aprendi. Foi quando, enfim, puder tirar a sujeira dos meus olhos. A sujeira, ah, dessa lavei-me.

Por isso mulheres, leiam, esse livro, outros livros. Leiam. Penso ser a leitura uma potente arma para enfrentar a violência. Os livros serão a diáspora feminina, a liberdade do corpo, evocação e exaltação de alma negra, da pele parda, branca, colorida de todas as mulheres.

Encerro esse escrito com trechos do poema Resiliência, do mesmo livro de Cristiane Sobral: 

Talvez eu tenha que saltar um muro
Posso até quebrar as pernas (...)
Mas não me entregarei simplesmente
O mal não vai encontrar futuro (...)
Enxergarei uma nova estrada diante de mim.

Desejo novas estradas, sem violência a todas as mulheres, e a Cristiane, novos livros, prosas poéticas, para nos aventurarmos em sua criação transformadora, grito negro e pardo, e branco e de todas as cores. Grito contra todas as formas de violência.


SOBRAL, Cristiane. Não vou mais lavar os pratos. Brasília: Atalaia, 2010.
Sobre Cristiane Sobral, acesse seu blog: http://cristianesobral.blogspot.com.br/
Dados acesse o site: Panorama da violência contra as mulheres no Brasil: indicadores nacionais e estaduais (Observatório da Mulher contra a Violência/Senado Federal, 2016).
Imagem: arquivo pessoal


domingo, 11 de março de 2018

SE LIGA! DIA “D” DA BNCC PODERIA SER O DIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO


SE LIGA  ! O DIA “D” DA BNCC 

PODERIA SER O DIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO

Por Marli Dias Ribeiro





No dia 6 de março de 2018 o Ministério da Educação chamou professores, gestores, secretarias de Estados,  e a comunidade para discutir a Base Nacional Comum Curricular. Aprovada em dezembro de 2017 para a Educação Infantil e Ensino Fundamental, o documento será a principal referência para que todas as escolas brasileiras organizem seus currículos, livros, organização pedagógica e avaliações. A base do Ensino Médio ainda está em discussão e deve ser concluída esse ano.
Cabe destacar que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está organizada em 10 competências, chamadas Competências Gerais da Base Nacional Comum Curricular. No documento a parte introdutória apresenta as competências a partir de direitos éticos, estéticos e políticos. São apontadas nas competências um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores a serem trabalhados por todas as escolas. Seguem abaixo  as 10 competências:
1.       Conhecimento
2.     Pensamento científico crítico e criativo
3.     Repertório cultural
4.     Comunicação
5.     Cultura digital
6.     Trabalho e projeto de vida
7.     Argumentação
8.     Autoconhecimento e autocuidado
9.     Empatia e cooperação
10. Responsabilidade e cidadania
As competências estão organizadas em dimensões e subdimensões que serão trabalhadas ao longo de todo ensino de forma transdisciplinar. Para disseminar a base, o Ministério da Educação,  preparou um material de apoio* para ser distribuído e estudado em todo país, no chamado dia “D”. Não estamos aqui descartando todas as reflexões e os debates que construíram e organizaram a BNCC, entretanto, sua simples implementação não garante a qualidade almejada no ensino, precisamos avançar ainda até em condições básicas como a infraestrutura. As várias críticas ao documento giram em torno de uma rigidez na proposta que pode “obrigar” todos a seguiram alinhados às competências indicadas. Por que os Parâmetros Curriculares existentes não foram totalmente implementados, e passamos a essa base?
Outra questão, parece ser o fato de que as avaliações nacionais estarão atreladas à base, e os Estados irão se planejar para não ficarem na lista dos fracassados nas provas nacionais, tais como Prova Brasil, ANA, Provinhas Brasil, o que obriga, de certa forma,  os Estados a aplicarem a BNCC. Com que liberdade o Estado irá criar seu próprio currículo se será avaliado pelas competências da base?
Os debates acerca da implementação da base não retiraram dela as questões polêmicas. A participação divulgada pelo governo nos debates sobre o documento serviu como propaganda para incentivar a adoção do projeto, mas parece que ainda  temos um longo caminho a traçar.
Uma política educativa que transforme a realidade nacional está muito além da base. Será mesmo tão importante esse processo? Que ideologias estão inseridas nesse contexto? Os educadores estão participando dos debates de forma crítica? As competências debatidas estão alinhadas às realidades dos alunos? Como será a formação docente antes e depois da Base?
O dia “D”, penso eu,  poderia ser o dia do DIREITO, direito a mais recursos na escola, direito a mais formação de professores, a mais profissionais de apoio, a mais livros, a mais vontade política de fazer um país com dias melhores para todos os alunos. O dia “ D” da educação será o dia que ela, seja direito de todos, e para todos. O dia "D", será o dia em que o debate seja adotar  a educação como prioridade.

quinta-feira, 8 de março de 2018

MULHERES PROFESSORAS, EDUCADORAS


DIA INTERNACIONAL DA MULHER

MULHERES PROFESSORAS, EDUCADORAS


Por Marli Dias Ribeiro



Toda escola é feminina por natureza

      E lhe faltaria ternura se não fosse a mulher

            A beleza do toque, do cuidado, do zelo


                  A força e a garra da alma que transborda
A certeza da renovação,  na postura acolhedora, firme e pronta

Uma educação certamente  feminina que tem a fortaleza do ser mulher
            Feita e refeita na cíclica da lida, da luta

Lida de Mulheres que constroem 

Mulheres, professoras, educadoras inspiradoras, 

Que merecem o dia de hoje e todos os outros dias.

FELIZ DIA, FELIZ ANO, FELIZ POR SER MULHER...


sábado, 3 de março de 2018

SUA ESCOLA É DEMOCRÁTICA? FAÇA O TESTE E DESCUBRA...




SUA ESCOLA É DEMOCRÁTICA?
FAÇA O TESTE E DESCUBRA...
 Por Marli Dias Ribeiro


A Gestão Democrática na Escola tem enquanto premissa buscar garantir que a comunidade tenha centralidade quanto a sua gestão, suas verbas e projetos pedagógicos. Envolve princípios que estabelecem maior autonomia da comunidade escolar, transparência nas ações, incentiva a qualidade social e valoriza a participação de todos os sujeitos. E além dessas questões, Gestão Democrática da Escola, está prevista na Constituição de Brasileira de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.



Numa gestão Democrática as dimensões pedagógicas, administrativas e financeira estão baseadas na efetiva participação dos órgãos colegiados, e também, na eleição da equipe gestora. Outro fator importante, relaciona-se a construção do Projeto Político Pedagógico (PPP), com vistas a democratização às relações pedagógicas. Também prever democratizar as relações  de trabalho, visando a qualidade social, traduzida na busca constante do pleno desenvolvimento da pessoa, no preparo para o exercício da cidadania e da qualificação para o trabalho, por meio de estudos, formações e troca de experiências.

Segundo Libâneo (2004), a concepção democrática- participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. Acentua a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos. Defende uma forma coletiva de gestão, em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. 
Características desse modelo estão na articulação entre a atividade de direção, a iniciativa e participação das pessoas da escola, e das pessoas que se relacionam com a escola. Assim, a gestão é participativa, mas espera-se, também, a gestão da participação. Nessa lógica, descentralização é conceito chave para se entender as políticas educacionais, e o acesso das pessoas no contexto de democratização da gestão.

            Alguns indicadores apontam para os processos democráticos na escola. Vamos fazer um teste?  Responda sim, em parte, ou não.

VAMOS AO TESTE?

1.    O PPP foi construído coletivamente, com a participação de toda comunidade?

2.    Os colegiados da escola participam ativamente na gestão financeira, pedagógica e administrativa?

3.    Nas salas de aula, os alunos participam e tem autonomia para perguntar e responder, questionar e interferir no planejamento das aulas, nas avaliações e trabalhos?

4.    Os recursos financeiros são conhecidos pela comunidade e ela também ajuda a indicar as prioridades nas compras e na aplicação das verbas?

5.    Os dados da escola são transparentes em relação a aprovação, reprovação, evasão, indicadores nacionais e organização de projetos?

6.    Os serviços administrativos atendem toda comunidade externa e interna  de forma efetiva e vinculada aos objetivos da escola?

7.    Existem momentos coletivos de estudo, debates e reflexões acerca da realidade da escola, dos alunos e dos problemas, para tomadas de decisões?

8.    Os pais participam das reuniões e tem acesso à escola, aos professores e as informações de forma fácil?

9.    Os espaços e o patrimônio da escola são utilizados democraticamente por todos e pela comunidade local?

10. A equipe gestora foi escolhida em eleições com voto direto de toda comunidade?

Agora é hora de somar os pontos. Sim – 1 ponto, em parte 0,5 pontos, não 0 ponto.

RESULTADOS

De 0 a 4 pontos. A escola ainda tem um longo caminho a percorrer em busca da gestão democrática. É importante reforçar os mecanismos de participação e refletir coletivamente sobre a importância de ações práticas para chegar a resultados concretos. Faça sua parte e participe ativamente. 
De 5 a 7 pontos. O processo participativo existe. Sua escola está crescendo e procurando ajustar e amadurecer a participação da comunidade. Persistência, estudos, debates, podem ajudar a ampliar os resultados.
De 8 a 10 pontos. A comunidade encontrou o caminho da participação democrática. Continuem aprimorando e compartilhando as experiências democráticas com outras instituições. Ofereça ajuda e continue apostando na democracia.

           Um  teste não significa um resultado absoluto e inquestionável da realidade da escola. Aqui, a ideia é debater e refletir um pouco mais sobre o tema.  E por fim, se para concretizar a gestão democrática é importante a participação de toda comunidade na escola para compartilhar decisões e ações, torna-se então necessária a reflexão e a prática democrática. Como diz Paulo Freire, “só se aprende democracia fazendo democracia”. Então, faça parte e contribua com a democracia em sua escola. 

LIBANEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Editora Alternativa, 2004.
Imagem: internet

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