quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

VIOLÊNCIA, ESCOLA E A VULNERABILIDADE SOCIAL


VIOLÊNCIA,  ESCOLA E A VULNERABILIDADE SOCIAL

EXISTEM POSSIBILIDADES PARA ESCOLA  ACOLHER ESTUDANTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL? 

ESSE FATO TEM RELAÇÃO COM A VIOLÊNCIA?




POR MARLI DIAS RIBEIRO








Não podemos esquecer que até metade do século XX nosso país amargava altos índices de analfabetismo, seleção para acesso ao ensino e uma educação seletiva onde os jovens das classes populares dificilmente conseguiam entrar na escola. As instituições de ensino eram e sempre foram formatadas para atender e formar os filhos da elite. Apesar de temos avançado muito em relação ao acesso, as marcas desse processo de exclusão permanecem ainda hoje em nossas instituições. Ainda são mais de 2,5 milhões de excluídos, alunos fora da escola (MEC, 2017).

A escola abriu-se, o acesso foi ampliado, mas os estudantes das  classes sociais de baixa renda ainda são marcados pelo fracasso, pelas desvantagens e por sofrimentos oriundos de suas carências sociais. O último censo escolar ainda aponta que a evasão, a reprovação e baixa qualidade em exames nacionais e internacionais  afligem muitos dos alunos em situação de risco e pobreza.

Os debates acerca dos estudantes que estão em situações de vulnerabilidade e risco social muitas vezes é negligenciado pelas escolas. Autores como Caliman (2008) argumentam que situações de riscos que envolvem fatores instrumentais como a pobreza, drogas, violência física e psicológica, fatores de integração social como a formação do sujeito, questões de ordem de identidade cultural como a falta do sentido da vida, e a própria formação da identidade do indivíduo podem ser gatilhos importantes para que o indivíduo  esteja associado à transgressão.

Os estudos têm revelado que existem dificuldades evidentes de aprendizagem em alunos que sofrem agressões físicas, passam fome, passam por violência psicológica, são financeiramente mais pobres, moram em locais de risco e violência, entre outras. O grave está no fato de que são essas crianças e jovens que mais precisam da escola, e estão diretamente afetados pelos índices de evasão, reprovação e abandono.

Diante desse cenário, fica evidente que enquanto espaço democrático, a escola deve se preparar para ser instrumento de acolhida aos estudantes vulneráveis. Negar as fragilidades desses sujeitos e suas necessidades não parece ser a melhor estratégia de ação. Os projetos pedagógicos, as aulas e todo o ambiente deve compreender a importância de planejar dentro das novas realidades que se apresentam e buscar incluir sempre. Entretanto, estamos cientes que em muitos casos a estrutura física, de pessoas e assistência do Estado, raramente estão presentes para fortalecer o apoio e o acompanhamento que os alunos carecem, porém, a realidade está posta e estamos inseridos nela.

Parece ser um problema envolto numa pesada carga e sem solução. No entanto, enquanto educadores, nossa ação pedagógica pode se orientar por planos de aula, projetos interventivos, busca de parcerias. Nossa tarefa será sempre buscar e acreditar nas potencialidades, nos recursos e na capacidade de resiliência do sujeito. O que oferecemos na escola pode ajudar o jovem, a enfrentar criticamente as situações de mal-estar, e que possa reagir positivamente ao risco. A VIOLÊNCIA PODE SER PREVENIDA COM AÇÕES  DE CUNHO EDUCATIVO, SOCORRO SOCIAL E ACOMPANHAMENTO.

Por fim, é sempre importante trabalhar numa ótica voltada à ação educativa e preventiva, não como resposta pronta e única, mas como recurso associados a outras possibilidades que se abrem. Ter fé e acreditar em nossa tarefa transformadora, pois cuidar do aluno, da escola é investir no futuro.


CALIMAN, Geraldo. Paradigmas da exclusão social. Brasília: Editora Universa, UNESCO, 2008.368 p.


IMAGEM: internet




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