quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

MEDIDA PROVISÓRIA PARA UMA REFORMA IRRISÓRIA


REFORMA DO ENSINO: MEDIDA PROVISÓRIA PARA UMA REFORMA IRRISÓRIA

40% DE ENSINO A DISTÂNCIA? 
A PRECARIZAÇÃO CHEGANDO COM FORÇA TOTAL...



Por Marli Dias Ribeiro




       A reforma do Ensino Médio será um dos temas em destaque na educação em 2018. Se avaliarmos os últimos resultados dos alunos nas avaliações internacionais e nacionais o cenário aponta uma realidade de insucessos. A rede pública de Ensino Médio é em grande parte administrada pelos Estados que andam a passos lentos em matéria de educação.
        No ano de 2015, segundo dados do Ministério da Educação- Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, apenas 4 estados (AM, PE, GO, SP) atingiram a meta estabelecida para Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)[1]. Na rede privada apenas Pernambuco e Amazonas bateram suas metas. Cabe lembrar que o IDEB varia de notas de 0 a 10 e em 2015 a média no Ensino Médio ficou em 3,7 para uma estimativa de 4,3.
       Nesse cenário entra em cena a polêmica reforma do Ensino Médio, repleta de resistências e vários temas discutíveis, e ainda com pouca participação de professores, alunos e especialistas. A reforma já editada através de Medida Provisória e sancionada pelo Presidente da República, é chamada pelo governo de Novo Ensino Médio e apresenta um currículo dito flexível.
      Os detalhes do currículo serão definidos após a definição da Base Nacional Comum para essa etapa da educação, por enquanto a proposta é que o aluno poderá escolher entre cinco áreas: Linguagens e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias, Ciências da Natureza e suas tecnologias, Ciências Humanas e sociais aplicadas. Assim Língua Portuguesa, Matemática e Língua Inglesa serão obrigatórias a todos os alunos nos três anos do ensino médio. Já Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes serão obrigatórias como estudos e práticas, mas não necessariamente precisam ser uma disciplina. Essa definição dependerá da BNCC. A pergunta que não pode faltar é, porque essas disciplinas deixam de ser obrigatórias se perpassam todo conhecimento humano?
      Outra questão importante a ser questionada refere-se a estrutura das escolas. Grande parte das instituições possuem problemas de recursos, estrutura física, laboratórios, professores ausentes, o que torna praticamente impossível oferecer itinerários diversificados, e a retirada dessas disciplinas pode empobrecer o ensino. Adita-se ao caso as escolas de ensino noturno que não estão previstas na nova lei.
      As novidades irão começar em 2018 e gradualmente serão implantadas. Está previsto que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) seja adaptado no ano de 2019.
E a grande polêmica dos profissionais de notório saber, esquentam ainda mais o tema. Pessoas que comprovem experiência profissional e conhecimento em uma determinada área poderiam lecionar em disciplinas afins. Esse debate está quente e estudiosos da educação consideram um grande retrocesso por essas pessoas não terem formação pedagógica.
    Infelizmente o Ensino Médio brasileiro caminha lentamente e enfrenta grandes desafios. Precisamos debater, melhorar resultados, avançar na qualidade, formar melhor nossos professores, investir na estrutura das escolas. Uma Medida Provisória não será a varinha mágica para esse conjunto de problemas. A democracia parece ter passado muito longe dessa reforma feita nos gabinetes federais.


Fonte: MEC-INEP
Para saber mais: https://apeoc.org.br/analise-da-medida-provisoria-n-746-que-trata-da-reforma-do-ensino-medio/
http://portal.mec.gov.br/component/content/article?id=40361

[1] Criado em 2007, o Ideb é o índice que avalia a qualidade dos ensinos fundamentais e médio em escolas públicas e privadas.

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